Blog de notícias sobre o livro de Deborah Goldemberg, Editora Carlini & Caniato.

sábado, 13 de março de 2010

Opinião do Leitor

Recebi um e-mail do Sr. Gomi, que leu o Fervo da Terra e escreveu um "feedback" daqueles que todo escritor sonha receber. Obrigada, Gomi!
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Oi Deborah,
Que bom que agora tenho o seu e-mail.
A leitura do Ferv da Terra foi uma das coisas mais gostosas e emocionantes que eu experimentei neste início de ano!!!
A leitura fez-me voltar à minha infância pois eu fui criado na roça como diria o seu Aké Panará ou melhor o Juruna. A cada passagem do livro para mim era um devaneio trazendo-me a lembrança do meu curso primário e ginasial, como chamávamos naquela época, e que à luz de lamparina (espero que você saiba o que é isto) eu escrevia cartas ou cantava à luz do luar com os peões.
Sabe que no sítio do meu paí tinha sempre 10 a 15 peões que ele vinha recrutar na "Estação do Norte", como era conhecida a estação Roosevelt no Braz. Aliás eu sempre fico imaginando como é que o meu pai com aquele português todo "trevessado", como diria o Juruna, conseguia andar por São Paulo na década de 40 e levar aqueles peões para a cidade de Pompéia, a 500 km de São Paulo, onde eu nasci e que era servida pela melhor estrada de ferro do estado que era a Companhia Paulista de Estrada de Ferro..
Uma coisa que eu não sabia e aprendi ao ler o seu livro é que o escritor tem que escolher o narrador e seu liguajar!! Muito interessante. Agora sei porque a maioria dos romances realmente tem um narrador.
Dada a minha criação, aquele linguajar soa para mim como uma música, pois eu era o "escriba" dos peões. Eram mineiros, baianos, alogoanos, pernabucanos, enfim todos da Bahia para cima e valentes como um touro enfurecido. Mas na hora de escrever a carta para as namoradas que eles diziam terem deixado no "nohte" eu me divertia muito com o liguajar deles, e da maneira como eles demonstravam o carinho para a amada, que era o do Juruna, e eu não podia corrigir porque as namoradas, se é que tinham, não iriam entender ao receber as cartas.
E as modas de viola!!! Cantando o "Noite Alta Céu Risonho" criação de Vicente Celestino, (você conhece?) sentado sôbre uma tora sob um pé de uma goiabeira em noite de luar, era um verdadeiro relax...
Deborah, parabéns pelo seu belo livro no qual você descreve muito bem a luta por um sonho e a sua morte na pessoa do Sr. Luiz. De uma maneira sutil você conseguiu mandar um libelo para os poderes constituidos!!! A mágua contida de Fernanda. O nascimento e o ocaso de um garimpo, que tive a oportunidade de conhecer pessoalmente no interior da floresta amozonica do Pará às margens do Rio Juruá, os bordéis, enfim você foi capaz de trazer tudo isso vivo em nossa visão, e no liguajar gostoso do caipira regional.
Enfim, precisamos sentar um dia e consversar sôbre estas coisas gostosas que dão um romance.
Eu vou me despedindo dizendo a você parabéns, continue escrevendo que você tem talento para tal!!!...
Um forte e fraterno abraço e beijos do
Gomi

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