Blog de notícias sobre o livro de Deborah Goldemberg, Editora Carlini & Caniato.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Carta de Rubelise

Aqui o comentário sobre O Fervo da Rubelise da Cunha, amiga gaúcha e Professora de Literatura Indígena na Federal de Rio Grande. Valeu Rubi!
*
Querida Deborah,
Ao chegar ao final do livro, reconheci algumas partes que já havia lido no computador, mas fiquei feliz em ter deixado a surpresa do livro para tê-lo em minhas mãos, assim, impresso.
Sabe que já te considero minha amiga do coração, mas pode ter certeza que o tudo o que digo é minha profunda opinião mesmo, como a pessoa que sou, como professora, como crítica...
Fiquei realmente encantada com o poder de Aké Panará, ou melhor, com o poder deste contador de histórias... que recupera toda a força da literatura oral... Ele é um narrador e um personagem muito bem construído, complexo, por isso infinitamente encantador. Conseguiste um equilíbrio, uma simplicidade, uma honestidade... enfim, ele existe, mesmo. É verossímel ao máximo que poderia ser. Se consideras que o narrador é o principal, pode ter certeza que este é um ponto fortíssimo da tua obra, singular mesmo. Além disso, retratas um Brasil que eu ainda não havia lido na literatura brasileira... e com um conhecimento profundo, único, que a tua experiência te trouxe. Como disse aos meus colegas e alunos... temos um novo grande nome na literatura brasileira... Quando penso que só tens 33 anos!!! Que maravilha!!! Este é só o início...
Fiquei um pouco incomodada com o julgamento, sabe, ao final... sei lá, sempre me dá a impressão que no Brasil o mais fraco se rala mesmo... e fiquei achando que o Aké seria preso. Bom, de qualquer forma no final ele já é um estancieiro, casado com Dona Fernanda... que final fenomenal! E o fato de ele estar narrando a história no tribunal também traz um novo sentido à obra... é como um depoimento sobre o Brasil... ainda estou elaborando isso na minha cabeça.
...
Quanto à linguagem, eu fiquei com o Aké na minha cabeça... é um livro que a gente não quer parar de ler, a tua estratégia linguística foi ótima mesmo. Marquei algumas páginas em que ainda escapou alguma coisa de revisão, como um ponto faltando, até para auxiliar numa próxima edição do livro. Outras páginas marquei porque é dúvida minha mesmo, se quiseste deixar assim a linguagem, ou se não foi planejado... Noutro e-mail posso te enviar essas questões. Ah!
...
Um beijo grande, e até breve!
Rubelise.

Emoções

Tenho tido alguns feedbacks de amigos que leram O Fervo da Terra sobre o gran finale do livro. Muitos se emocionaram com o desfecho do final, quando Dona Fernanda....(não vou contar, claro). Meu pai já havia se emocionado com isso, depois o Danny-boy ligou para o Nick especialmente para compartilhar isso, depois a Camila Apel (Li seu livro e me emocionei com a história. Enquanto eu lia eu esqueci que eram suas palavras, de tão bem desenvolvido que está o narrador.) e, anteontem, o jornalista Mencius Melo. Causar emoção é sempre bom!